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7 de jun de 2015

Besteirol Anti-gay, Paciência Esgotando



Se tem uma coisa que já está dando no saco é, não só a homofobia, mas também a desconsideração contra nós de sexualidade ou identidade de gênero diferentes da maioria. 
Até onde vaia nossa paciência?



Hoje, já ciente dos meus direitos, assumido e resolvido comigo mesmo, já não tenho paciência diante da impunidade dos anti-gays e homofóbicos. Meus nervos pulam, minha garganta aperta todas as vezes que ouço ou leio um comentário cruel ou infeliz sobre LGBTs. Que saco, cara! Não consigo aceitar que ainda vivo nesse período da história. Período onde discursos sexistas, misóginos e anti-gay ainda passam despercebidos, canonizados como opinião, convicção religiosa e preservação da moral. Qual moral? Por que ainda chamam de mimimi a minha revolta com piadinhas homofóbicas? POR QUE NÃO ME LEVAM A SÉRIO? Sim, estou gritando!

Opiniões infelizes em si, não me abalam. Me abala a liberdade que pessoas ainda têm de expor estas “opiniões” com a certeza da impunidade, sem perceberem ou importarem-se com a falta de consideração e de respeito em suas manifestações. Manifestações como esta, já bem polêmica:


Afff… Vamos por partes:


“…um comercial onde ocorre a banalização das famílias…”

Banalizar no sentido de tornar fútil, vulgarizar, trivializar, destituir de importância? Sério?! 
Um comercial romântico que contempla (também) casais do mesmo sexo pode banalizar a família tradicional? Só na cabeça de quem considera LGBTs pessoas sem importância, fúteis, vulgares e sem valor. Só na cabeça de quem não conhece pessoas e famílias homoafetivas. Só em uma cabeça preconceituosa (preconceituosa sim!).
O pilar de sustentação de qualquer família é o amor. Sem esse pilar, nem a família=homem+mulher+filhos biológicos resiste.


“…onde aparecem famílias homossexuais, como se fosse normal.”

Independente da opinião (ou ignorância) pessoal, é preciso ter sensibilidade com o que se fala sobre pessoas especialmente famílias. Por que ainda existe essa liberdade, essa licença para ofender? “Vocês são anormais. Desculpa, mas é a minha opinião.” Fico muito feliz por, na questão racial, essa desculpa não colar mais. Precisamos que atitudes anti-gay tenham a mesma repercussão que atitudes racistas. No Brazil, dizer que um negro é anormal (apenas por ser negro) ou que o casamento interracial é anormal, traria sérias consequências para qualquer um. Muito justo! E precisamos que essas consequências sigam também os comentários homofóbicos. 


"Não tenho preconceito com homossexuais… luto para que encontrem o caminho de Deus.”

Puts! Imagine se ela tivesse! Mas estas pessoal geralmente não assumem que são preconceituosas. 
Talvez essa luta a qual ela se refere sejam os impropérios que muitos religiosos soltam sobre a  comunidade LGBT para, de alguma maneira, influenciar-nos para o bem (o bem segundo eles). Os detentores da divindade não percebem o tamanho da própria presunção. Não me sinto à vontade sedo arrastado para um Deus cultuado por pessoas homofóbicas, convencidas, odiosas e ignorantes.


“Não quero meus filhos assistindo essa propaganda. Tenho direito de preservar a instituição família dentro da minha casa.”

Evangélicos saem em uma passeata (na rua, em plena luz do dia para que todos, sem excessão, vejam) defendendo a família tradicional, colocando-a como a única que deve existir e ser preservada. Como fica a minha família, que já existe, se deparando com esse tipo de movimento na rua? Como ficam as famílias homoparentais ao verem, no Domingão do Faustão, um padre cantor dizendo que “isto [homoafetividade] não pode ser equiparado à família”? Como assim? 
Como casais do mesmo sexo podem proteger suas famílias? Como estes pais podem ensinar seus filhos a não sentirem desprezo por tais manifestantes?
Para mim, casado e apaixonado pelo meu marido, me vi impotente diante da liberdade que uma colega de trabalho sentiu em dizer que meu relacionamento era um pecado "nem mais nem menos grave que um assassinato, roubo ou adultério". Essa realidade precisa mudar.

Ao contrário dos abitolados, a O Boticário não infringe direitos de ninguém com o comercial. E com sua resposta à reclamação, mostra que o levantar de bandeiras e as lutas – do passado e de hoje – pelos direitos dos LGBTs, vêm conquistando a cada dia a consciência da sociedade e que os anti-gays e homofóbicos de hoje, têm seu lugar cativo nos livros de história de amanhã.


Mas até o amanhã chegar, continuemos revoltados! Agrrr!

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