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23 de mar de 2014

INGLÊS: UM PRODUTO FICTÍCIO DOS CURSOS DE IDIOMAS

O mercado de trabalho está cada dia mais exigindo inglês fluente de seus colaboradores. Isso gera uma forte procura pelo aprendizado do idioma e com isso, um banquete para a concorrência de cursos de língua. Instituições que ensinam inglês estão enfeitando o seu produto com promessas milagrosas. “Fale inglês fluente em um ano!”, Fale inglês fluente em seis meses!” ou simplesmente “Aqui você sai falando!”. Bom, não crucifiquemos as empresas por isso. Afinal, o mercado funciona assim mesmo. Eu torno meu produto o mais atraente possível quando a procura está em alta mas existe muita concorrência. Porém, o conflito é exatamente este. Inglês não é – e nunca será – um produto (a não ser que
inventem implantes cerebrais no futuro, com microchips contendo o programa English Language Compact Drive). Claro, Posso até prometer ensinar inglês em seis meses para alguém, mas não posso prometer que este alguém de fato fale inglês nem em cinco anos de estudo.
Acredito que as escolas de inglês de hoje em dia fazem as pessoas acreditarem que a língua é esse produto que você, supostamente, pode adquirir por mensalidades de duzentos a quatrocentos reais (às vezes bem mais) ou um serviço de esteticista que deixa sua pele limpíssima em uma hora e meia a partir de setenta reais. Mas para o teu benefício, saiba que isso é mentira!
Fui instrutor de língua inglesa por três anos em Cabo Frio-RJ e ouvi coisas do tipo: “Tirei minha filha lá do outro curso porque ela não aprendeu nada, e amiguinha dela que estuda aqui, fala inglês à beça!” Com meus botões eu tentava imaginar para qual outro curso aquela aluna iria depois dali.
Sim, alguns cursos têm bons professores e métodos excelentes – não estou dizendo que curso é inútil – mas tudo vai depender de você, do teu esforço, das tuas disponibilidades. Não existe isso de “Vou me matricular nesse curso porque ele vai me fazer falar fluente.”. Não se iluda só por que o Rodrigo Santoro faz filmes no exterior ou por que o Samuel L. Jackson diz que você vai enfrentar as consequências. Antes que você se engane e se frustre, aqui estão alguns conceitos que você pode adotar ao estudar inglês:

Mãos na massa.
É preciso saber que uma língua estrangeira é o código de comunicação e parte de uma outra cultura e que não funciona, necessariamente, igual a tua língua. Portanto, estudar outro idioma significa “queimar um pouquinho de mufa” sim. Sem o teu envolvimento, as coisas não evoluem.

Leia com frequência.
Tire algum tempo diário para ler inglês. Leia um livro, uma revista, notícias na net ou o que mais te interessar, mas leia. Nem que seja apenas um parágrafo a cada 24 horas. Ler textos com um contexto interessante faz com que você use o idioma para compreender outro assunto, facilitando e naturalizando a decodificação da língua estudada, em teu cérebro (não sou neurologista ou psicólogo mas falo isso por experiência própria e de outras pessoas com quem convivi).

Fale, comunique-se, treine.
É bastante recorrente a confissão “entendo tudo que é dito em inglês. Meu problema é falar”. Receber informação é uma coisa. Formular e enviar informação é outra. É necessário que, desde o começo do curso, você procure usar o que aprendeu. Aprendeu frases de cumprimento? Então use. Traduza mentalmente frases que outras pessoas dizem em português. Não se sinta acanhado em responder good morning para um amigo que te desejou bom dia ou good-bye quando ele for embora. Se não houver ninguém para praticar com você, fale consigo mesmo(a). Pode parecer coisa de maluco mas a verdade é que, se você não pratica, acaba esquecendo.

Estude, não seja ensinado.
Este conceito é controverso, mas eu defendo a mentalidade na qual você vai ao curso para realizar um trabalho de pesquisa, não para usufruir de um serviço pago. Tudo que for absorvido precisa fazer sentido e precisa servir para alguma coisa. Para cada matéria que você aprender em curso, pergunte a si mesmo ou ao professor, para que aquilo serve. Present continuous é formado pelo verbo 'estar' conjugado (am, is, are), acompanhado do verbo principal na forma contínua. OK, legal. Mas para que, exatamente, eu uso isto? Serve para comunicar o quê? Como isso fica na prática?

Goste de inglês.
Como assim??? Já tive alunos que não se inibiam em assumir “Eu odeio inglês! Só estudo por necessidade”. Estes eram os alunos que desistiam nos primeiros desafios e apresentavam indisposição no processo de aprendizagem. Talvez você também não vá coma cara do inglês. Isso pode ser devido a alguma dificuldade que você tenha. O melhor a fazer é localizar a deficiência, estar ciente dela, aceitar que ela existe e trabalhar de forma a contorná-la (erradicá-la talvez). Se você não sabe qual é especificamente a tua dificuldade, converse com o professor. Talvez ele até já tenha percebido e está esperando o melhor momento ou palavras para falar com você. Mas o que você não pode fazer é ficar nessa vibe negativa. Diga “a partir de agora eu gosto de inglês e não há dificuldade que me impeça do sucesso. Sou guerreiro(a). Eye of the tiger!” Não é uma sugestão para você mentir para si mesmo, mas para você quebrar barreiras que, não só te separam do aprendizado de inglês, mas se estendem por outras áreas da vida, cercando você de seus objetivos.


Mais uma vez, estude, pesquise, construa tua fluência em inglês. Não tente comprar o produto pronto porque ele não existe.

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